Ainda criança, Lauciete se encantou pela música. Um dos seus professores, Mozart Vieira, foi quem lhe acompanhou nos primeiros passos dos estudos musicais, na cidade de São Caetano, Agreste de Pernambuco e distante 142 quilômetros da capital Recife. A vida da jovem seguia o ritmo das notas, partituras e melodias até os seus 22 anos. Em uma tarde qualquer de um dia de semana, estava ensaiando com uma colega quando foi abordada por dois funcionários do Grupo Moura que passavam pela cidade. Eles haviam retornado há pouco de São Paulo, onde viram uma apresentação de um coral de uma empresa parceira. Decididos a formar um coral na Moura, convidaram Lauciete para liderar a empreitada. Dezenove anos depois, ela segue regendo o Coral Moura, que passou a contar não apenas com colaboradores da organização, mas jovens e adultos de toda a cidade de Belo Jardim. Além de comandar as aulas da Escola de Música Flor de Mandacaru, do Instituto Conceição Moura, que ensina flauta doce para 55 crianças e adolescentes.

Bacharel em Oboé pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Maria Lauciete da Silva Melo, sempre se considerou uma pessoa organizada, metódica até. “Mas depois que passei a ser uma colaboradora do Grupo Moura pude ver de perto como gestão e planejamento fazem a diferença. Mesmo atuando em uma área que não era exatamente de operação da empresa, fui cobrada para ter responsabilidade e compromisso com minhas atividades. E sempre me senti como dona do negócio também”, descreve. “Sem falar na capacidade de contribuir com a transformação da cidade. Isso pode ser visto nas ações do Instituto Conceição Moura, dando oportunidades e acesso a novos conhecimentos, a Cinema, Educação, capacitando professores e gestores. Um ganho imensurável para a vida de Belo Jardim”, celebra.

Quando começou a reger o coral, Lauciete conta que todos cantavam em uníssono. Não havia a diferenciação de contralto e soprano (para vozes femininas) e baixo e tenor (para homens). “A gente trabalhava primeiro com o relaxamento dos funcionários com música. Tudo aquilo ali era coisa nova para eles. Depois começávamos a cantar, recitar, fazer o chamado vocalismo. Fomos encontrando as vozes aos poucos. Inicialmente formado apenas por funcionários, dentro de uma sala da empresa, fomos ampliando para toda cidade depois que começamos a nos apresentar ao vivo. E nesse período Dr. Edson e Dona Conceição sempre acreditaram no nosso potencial”, recorda.

Lauciete celebra a importância que o Grupo Moura sempre deu a iniciativa: garantindo a inscrição em festivais, encontros de corais de outras empresas do País, ofertando capacitação em Educação e formação em liderança. Com o Coral Moura visitou Natal (RN), Aracaju (SE) e São Paulo (SP), sem contar as apresentações em diversas regiões de Pernambuco. Hoje, o Coral conta com 45 pessoas está vinculado ao Instituto Conceição Moura. São dois ensaios por semana. Os testes começam com jovens a partir dos 18 anos, sem restrição de idade, possui integrantes com mais de 50 anos, promovendo uma troca de experiências e vivências únicas entre seus integrantes.

Para conquistar as crianças que começam a chegar com sete anos na Escola de Música Flor de Mandacaru para aprender a flauta doce, Lauciete desenvolve um “método Suzuki à sua maneira”, brinca, em alusão à tradicional metodologia de ensino musical japonesa. “Deixo eles bem à vontade, deixando eles entrarem em contato com a música, enxergando os talentos. Ensino eles a tocar, e a desenvolver suas percepções auditivas, a coordenação motora, para então entrar com as aulas teóricas. Nessa hora, já os conquistei todos com o amor à música”, fala, sem esconder o orgulho, mas com uma humildade que não lhe deixa se gabar do papel transformador que em quase vinte anos tem desempenhado não só no Grupo Moura, mas em toda cidade de Belo Jardim.