É tarefa árdua pensar em uma atividade dentro do Grupo Moura que não tenha tido a participação de Luiz Mello. Logo no início de sua jornada na empresa, o diretor geral comercial de Baterias Industriais e Sistemas de Armazenamento de Energia participou da terraplanagem e até mesmo dos projetos para instalação das fábricas de componentes plásticos de baterias e de separadores de celulose. Um desafio inusitado para o engenheiro eletricista de formação. Assumiu, ainda, a coordenação da Divisão de Novos Produtos e Exportação e depois de mergulhar no mundo industrial, Luiz, hoje, está à frente junto com sua equipe dos projetos inovadores em acumulação de energia do Grupo.

Como primeira missão na área de produção, o executivo liderou a fabricação das placas, empastamento, fundição de grades e produção de baterias seco carregadas. Além de coordenar as exportações pela empresa, fazendo valer o slogan da época “Moura, exportando tecnologia”. No final dos anos 90, participou do desenvolvimento e lançamento da Moura Clean, produto que quebrou paradigmas no mercado de baterias estacionárias. Hoje, Luiz comanda a divisão que promete revolucionar a gestão da energia nos próximos cinco anos: os Sistemas de Armazenamento de Energia – ou Battery Energy Storage Systems, BESS, em sua nomenclatura em inglês.

Ao longo do seu processo de admissão, Luiz lembra que foi entrevistado por Dona Conceição Moura, co-fundadora do Grupo. Ali, já percebia características diferenciadas da empreendedora que, de imediato, passou a admirar e cujas lições carrega consigo ao longo dos seus 34 anos de companhia, a serem completados no próximo mês de setembro.

Teve ainda um convívio muito intenso com Edson Mororó Moura. “Dr. Edson era uma tremenda liderança pelo exemplo. Prezava pela humildade e gostava mesmo de sair da zona de conforto. Quando a coisa estava resolvida ele buscava sempre um novo desafio. Dono de uma persistência única, de originalidade, era bastante inquieto. E muito se fala sobre seu perfil empreendedor, vencedor. Mas a sua caraterística mais marcante é o cuidado com a pessoas. Enfrentamos muita coisa juntos, viajamos, tomamos inúmeros cafés da manhã. Bebi na fonte primária de conhecimento”, lembra emocionado.

Líder de projetos inovadores e, principalmente, desafiadores, o diretor lembra que não foi aprovado na primeira seleção que participou na Moura. Foi na segunda tentativa que entrou para o time de moureanos, demostrando ter a persistência como um dos seus valores. Após a missão de embarcar no mundo da Construção Civil, com a implantação da fábrica de plásticos, assumiu uma área que carrega Inovação e faro comercial: Novos Produtos e Exportação. Era meados de 1986, o Brasil ainda era um País fechado para o mercado externo. Isso não o impediu, de junto com a equipe, desenvolver um projeto de bateria com partida à frio, que se tornou porta de entrada para o nascente mercado de Porto Rico e América Latina que a Moura começava a estruturar.

“Naquela época o setor de exportação foi um caminho importante para combatermos a sazonalidade do mercado de baterias nacional. A economia brasileira estava muito inconsistente e precisávamos de uma alternativa contra crises. Fechamos contratos com Chile, Bolívia e Paraguai e a exportação tomou vulto”, recorda.

Não apenas de vitórias é feita a carreira de Luiz, na Moura. Após comandar a implantação de uma nova unidade, dessa vez no Complexo de Suape, em Pernambuco, com características enxutas e voltada para o atendimento de mercados internacionais: a Moura Export, que não vingou. E foi Luiz, o encarregado de promover toda desmobilização de máquinas e equipamentos, levando-os para o polo produtivo da Moura em Belo Jardim, no Agreste.

Eis que houve a percepção de que mais do que partida à frio ou outras tecnologias que o Hemisfério Norte julgava fundamental, as baterias precisavam apresentar durabilidade. A maior prova disso era o nível de exigência das montadoras. “O grande desafio era o seguinte: as montadoras, em meados dos anos 1990, só queriam na sua base, fornecedores globais. Como uma empresa do interior de Pernambuco, em Belo Jardim, poderia alcançar esse posto? Foi quando costuramos uma estratégia extremamente vitoriosa: ser global, através de contratos e parcerias de transferência de tecnologia, que nos permitiu fabricar em tempo real os mesmos produtos industrializados na Europa e Estados Unidos”, conta.

A empresa avançou rápido em presença de mercado. Luiz recorda que os riscos eram enormes, mas a persistência do time Moura sempre foi muito forte. Logo depois, veio a privatização do setor de telecomunicações no Brasil e um novo mercado se abriu para empresas de infraestrutura. Primeiro, ele comandou o processo de importação de baterias industriais, para backup de energia nas torres de transmissão. Com o fim da paridade dólar x real, a operação ficou ameaçada. Mas, os anos de vínculos com a base de clientes desenvolvida neste mercado criaram a expertise na Moura para conceber sua própria família de baterias estacionárias: a Moura Clean.

“É a primeira bateria para telecomunicações para regiões com alta temperatura. Nasceu com potencial de ganhar mercado externo e foi responsável pela construção e fortes vínculos com gigantes globais desse mercado. Hoje é o produto que lidera o setor na América do Sul, com folga, nos habilitando a promover a sua exportação para toda América Latina”, destaca Luiz Mello.

Há cerca de oito anos, fruto da intensa vida internacional que passou a levar, Luiz observou o movimento fortíssimo de desenvolvimento de tecnologias de Armazenamento de Energia. Mergulhou no tema e impulsionou a Moura a liderar esse movimento na América do Sul, ajudando a redirecionar, inclusive, os investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento de geradoras e distribuidoras de energia em atuação na região.

Em parceria com o Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura (ITEMM), a Moura desenvolveu a primeira tecnologia inteiramente nacional para sistemas de armazenamento de energia. O produto, que já está disponível para comercialização, tem potencial para quebrar os paradigmas da gestão energética nos próximos anos.

É a alternativa sustentável para redução das emissões de gás carbônico (CO2) e demais gases poluentes. E oferece segurança e inteligência no uso da energia para indústrias, estabelecimentos comerciais e de serviços. Apresenta-se ainda como estratégico para ampliar o uso de fontes renováveis de energia no Brasil, por apresentar perfeita integração e otimização entre as infraestruturas necessárias para os parques eólicos e fotovoltaicos, promovendo a mitigação da intermitência destas fontes de energia. “Tenho certeza de que o Sistemas de Armazenamento, os BESS, irão elevar a empresa a um outro patamar, transformando a Moura definitivamente em uma empresa de vanguarda no segmento de energia” destaca.

ENCERRAMENTO

A jornada de Luiz Mello marca o encerramento da série “Liderança com Energia”, promovida desde fevereiro deste ano. O objetivo principal foi apresentar quem ajudou a construir a história do Grupo Moura. E lançar luz às histórias das pessoas que, hoje, ocupam posição de gestão, mas que tiveram a oportunidade de se desenvolverem na empresa ou que construíram uma grande carreira no mercado e vieram agregar nosso time com suas experiências.